Sempre fui apaixonada por raízes.

Posted by 12 de novembro de 2014 Sem categoria No Comments
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Quando criança em casa sempre tinha um pratinho com algodão e alguns grãos de feijão… Fascinava-me ver que aquela semente deixada ali aos poucos ia brotando e transformando aquela semente em uma planta.

São intrigantes as raízes… Crescendo, se agarrando onde podem, aos poucos se tornam tão fortes que começam a sustentar o caule que brota sorridente, lhe dão suporte, sustentam , levantam e o tiram do chão. Do solo rico ou pobre tiram o alimento, fazem com que aquele brotinho qualquer se torne um ser completo e complexo, com todas as características que o identificam como uma espécie!

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Escondidas as raízes cuidam para que o alimento chegue ao tronco, aos frutos, a cada folha.

Raízes existem de toda forma: profundas e pivotantes sendo uma a raiz principal; raiz ramificada onde não se pode detectar uma principal; raiz tuberosa que além de todas as outras funções ainda acumula nutrientes; raiz aérea, exibida, saliente, exposta e aparente; raízes parasitas que abraçam um hospedeiro e às vezes podem até matá-lo…

Assim também são nossas raízes. São o nosso princípio, o nosso eixo, nossa base, nos sustentam e nos tornam indivíduos pertencentes ao grupo.

E NOSSAS RAÍZES?

Somos um povo híbrido. Uma mescla de índios, nossas primeiras raízes, crescidas de sementes espalhadas pelo vento. Africanos e europeus chegaram mais tarde, trouxeram de longe suas estacas que enterradas em nosso solo criaram raízes igualmente fortes e profundas. Cada um a seu tempo, também vieram holandeses, orientais, espanhóis, árabes, americanos… Talvez por tanta miscigenação, não aprendemos a dar o devido valor às nossas raízes. Não pertencemos a árvore que representa os índios, tampouco somos representantes de europeus ou africanos, criamos nossa própria árvore, temos que descobrir nossas raízes, enterradas às vezes enlameadas, porém fortes e rígidas. Com certeza não temos uma raiz pivotante pois seria impossível descobrir um ramo principal. Talvez tenhamos uma raiz tuberosa, assim como a mandioca, acumulando nutrientes.

Saio agora para uma viagem às profundezas de nossa terra, procurando as raízes (as que ainda restam) da nossa cultura gastronômica.